20 May, 2006

Estava presa em mim. Presa no preço das roupas e nas situações que me encabulavam. Presa em mim, como se tivesse casco e um plastrão. As pessoas passavam e ônibus paravam. As vezes as pessoas paravam para passar com o ônibus. Mas eu não os percebia.

Sem mais nem menos surgiram uns cachos dourados, louros não, dourados, sem essa de clichê. Miúda, parava as pessoas amiúde, com uma bacia quadrada, amarela como seus cabelos. Parou a moça ao meu lado, e então eu vi o que havia naquela bacia - Chocolate.

Esqueci imediatamente os preços e os medos, pedi para comprar um. Ela sentou-se do meu lado e disse para eu escolher. Ah, que dúvida, quantos chocolates. Precisava adoçar um pouco, então precisava escolher bem.Quando finalmente escolhi, paguei a menina e fiquei admirando minha compra. Foi quando ela observou:

Eu não conheço as coisas da vida. Eu nunca estudei nada que me ensinasse as coisas da vida.

Com uma observação inesperada dessas, fiquei sem ação. Então perguntei:

Mas você nunca quiz estudar?

Não, eu estudo. Mas é que nunca estudei nada sobre as coisas da vida.

Mas você não acha que é nova demais para querer saber das coisas da vida?

Ela se contentou em me sacudir a cabeça e lançar um leve e murmurado "não". Depois se levantou e foi-se embora, sem me dar o prazer de vê-la olhar pra traz. E me deixou com minhas observações vazias.

Acredito ter encontrado nesse "não" as respostas às perguntas que nunca tivera coragem de me fazer...

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