10 December, 2006
31 August, 2006
Quando eu era pequena, eu saia na chuva sem pensar que ia me gripar, chegava em casa, tomava um bom banho e saia feliz, pronta pra mais outra chuva. Era uma delícia a chuva molhando meu rosto, e eu só pensava em sentir tudo isso. Hoje em dia eu evito tomar chuva, porque qualquer friagemzinha dói minha sinusite. Engraçado, quando eu era pequena meu pai não se importava se eu saisse na rua e me molhasse toda. Ninguem me dizia que eu iria ficar doenta. Ah, minha mão dizia, mas ela nunca ficava sabendo... E quando ficava sabendo, meu pai só respondia "ora, deixa a menina, ela tem que criar anticorpo!". Eu não entendia porque eu precisava de algo que fosse anti-corpo, pois eu não queria fazer mal ao meu corpo. Mas ai, quando cheguei na Universidade, descobri que o anticorpo era anti-outros-corpos, aqueles que não deveriam estar no meu corpo. Bem, a fantasia acabou, e acho que os anticopos decidiram ir junto... Mas isso não importa!
19 August, 2006
24 May, 2006
Verdade
[Carlos Drumons de Andrade]
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
21 May, 2006
Minha história
Um dia sussurraram no meu ouvido aquilo que não queria escutar
e nesse dia eu morri...
Pensei em talvez ressucitar
ou quem sabe subir aos céus...
Que chato!
Me encontrem no limbo de Dante!

[Figura: http://ubbibr.fotolog.com/pokeout/]
20 May, 2006
Estava presa em mim. Presa no preço das roupas e nas situações que me encabulavam. Presa em mim, como se tivesse casco e um plastrão. As pessoas passavam e ônibus paravam. As vezes as pessoas paravam para passar com o ônibus. Mas eu não os percebia.
Sem mais nem menos surgiram uns cachos dourados, louros não, dourados, sem essa de clichê. Miúda, parava as pessoas amiúde, com uma bacia quadrada, amarela como seus cabelos. Parou a moça ao meu lado, e então eu vi o que havia naquela bacia - Chocolate.
Esqueci imediatamente os preços e os medos, pedi para comprar um. Ela sentou-se do meu lado e disse para eu escolher. Ah, que dúvida, quantos chocolates. Precisava adoçar um pouco, então precisava escolher bem.Quando finalmente escolhi, paguei a menina e fiquei admirando minha compra. Foi quando ela observou:
Eu não conheço as coisas da vida. Eu nunca estudei nada que me ensinasse as coisas da vida.
Com uma observação inesperada dessas, fiquei sem ação. Então perguntei:
Mas você nunca quiz estudar?
Não, eu estudo. Mas é que nunca estudei nada sobre as coisas da vida.
Mas você não acha que é nova demais para querer saber das coisas da vida?
Ela se contentou em me sacudir a cabeça e lançar um leve e murmurado "não". Depois se levantou e foi-se embora, sem me dar o prazer de vê-la olhar pra traz. E me deixou com minhas observações vazias.
Acredito ter encontrado nesse "não" as respostas às perguntas que nunca tivera coragem de me fazer...



